Tomás Alencar
Entrevista

Tomás Alencar: a volta pra casa

Por Ôxi Cozinha Nordestina · 8 min · Fevereiro 2025

Como você descreveria o Ôxi pra alguém que nunca foi?

"O Ôxi é um lugar onde a cozinha nordestina é levada a sério — não como curiosidade, não como folclore, mas como gastronomia de verdade. A gente usa ingredientes locais, técnica contemporânea, e tenta fazer com que cada prato conte uma história que o comensal possa sentir mesmo sem saber de onde vem."

Como foi a decisão de voltar ao Nordeste depois de anos na Europa?

"Foi menos uma decisão e mais uma rendição. Eu estava em Copenhagen, trabalhando num restaurante incrível, e comia muito bem — mas com uma saudade física do cheiro de coentro. Não era nostalgia boba. Era o meu paladar dizendo: você sabe de onde veio. Agora vai fazer algo com isso."

Quanto mais longe eu ia, mais sabia o que queria: voltar.

Tomás Alencar, chef do Ôxi
Tomás Alencar — Chef e fundador do Ôxi.

Tem algum prato diretamente autobiográfico no cardápio?

"A Carne de Sol na Pedra. Minha avó fazia no fogão a lenha, numa pedra de granito no quintal. Eu via aquilo e achava a coisa mais simples do mundo. Hoje entendo que era uma técnica perfeita — controle de temperatura, caramelização, textura. Só formalizei o que ela já sabia."

O que você diria pra quem acha que a culinária nordestina é 'simples'?

"Diria que está confundindo acessibilidade com simplicidade. A cozinha nordestina é acessível porque sempre precisou ser. Mas a inteligência por trás é enorme. Fermentação, defumação, conserva em sal, cocção lenta — técnicas que os melhores restaurantes do mundo usam. O Nordeste faz isso há séculos."

Qual é o futuro do Ôxi?

"Continuar sendo honesto. Tem pressão pra crescer, expandir, virar rede. Não é o que quero. Quero que o Ôxi seja o melhor restaurante de Itacaré — e que cada pessoa que sentar aqui saia convencida de que a culinária nordestina é patrimônio, não folclore."

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