Como você descreveria o Ôxi pra alguém que nunca foi?
"O Ôxi é um lugar onde a cozinha nordestina é levada a sério — não como curiosidade, não como folclore, mas como gastronomia de verdade. A gente usa ingredientes locais, técnica contemporânea, e tenta fazer com que cada prato conte uma história que o comensal possa sentir mesmo sem saber de onde vem."
Como foi a decisão de voltar ao Nordeste depois de anos na Europa?
"Foi menos uma decisão e mais uma rendição. Eu estava em Copenhagen, trabalhando num restaurante incrível, e comia muito bem — mas com uma saudade física do cheiro de coentro. Não era nostalgia boba. Era o meu paladar dizendo: você sabe de onde veio. Agora vai fazer algo com isso."
Quanto mais longe eu ia, mais sabia o que queria: voltar.
Tem algum prato diretamente autobiográfico no cardápio?
"A Carne de Sol na Pedra. Minha avó fazia no fogão a lenha, numa pedra de granito no quintal. Eu via aquilo e achava a coisa mais simples do mundo. Hoje entendo que era uma técnica perfeita — controle de temperatura, caramelização, textura. Só formalizei o que ela já sabia."
O que você diria pra quem acha que a culinária nordestina é 'simples'?
"Diria que está confundindo acessibilidade com simplicidade. A cozinha nordestina é acessível porque sempre precisou ser. Mas a inteligência por trás é enorme. Fermentação, defumação, conserva em sal, cocção lenta — técnicas que os melhores restaurantes do mundo usam. O Nordeste faz isso há séculos."
Qual é o futuro do Ôxi?
"Continuar sendo honesto. Tem pressão pra crescer, expandir, virar rede. Não é o que quero. Quero que o Ôxi seja o melhor restaurante de Itacaré — e que cada pessoa que sentar aqui saia convencida de que a culinária nordestina é patrimônio, não folclore."